Convenções,falácias e sofismas sobre o crescimento brasileiro
30/03/2007
Convencionou-se que a economia brasileira cresce pouco e não atrai investimentos ou novos negócios. Isto é uma falácia. Investidores, em uma economia de mercado, guiam suas ações visando gerar o máximo de lucro. O pai da economia, Adam Smith, em "A Riqueza das Nações", já tratava desta busca individual do lucro.
Mas não precisamos ir tão longe. Qualquer dicionário definirá economia como a ciência que trata da produção, distribuição, acumulação e consumo de bens materiais. Quando economistas engajados afirmam que crescemos pouco nos últimos anos, eles estão abordando apenas a produção, a oferta agregada e o PIB, que tem aumentado menos de 3% ao ano. Todavia, as oportunidades e os lucros no Brasil têm sido muito superiores. Mesmo o lado real tem expandido seus investimentos a um ritmo de 6,6% ao ano, sendo que não há movimento mais intenso porque o principal vetor, a infra-estrutura, gargalo maior de nossa economia, ainda não tem um aparato institucional que permita tal movimento.
A maior demanda mundial por produtos básicos alavancou nossas exportações. Em 2007, devem atingir US$ 150 bilhões, o que é uma explosão quando comparados aos US$ 60 bilhões de 2002. Isto tem reduzido o endividamento do país e diminuído as vulnerabilidades. A conseqüência foi uma valorização de nossos ativos muito acima do portfólio mundial. De 2003 a 2006, o Ibovespa subiu quase 300%, o real, 40%, e o risco-país caiu 1.250 bps. Compare com países que também cresceram abaixo de 3%. A Inglaterra teve valorização da bolsa e da moeda, a libra, de 58% e 22%, respectivamente. E do Japão, com alta do Nikkei de 100% e estabilidade do iene no período. Apesar das críticas de exportadores da União Européia contra a apreciação do câmbio, o euro valorizou-se só a metade do real nominalmente.
Estamos mais ricos, ou menos pobres, e isso pode ser visto na renda per capita acima de US$ 5 mil, o dobro de 2002; no turismo internacional de brasileiros, com um crescimento anual médio de 27% no período; no consumo de bens e serviços. A demanda tem se expandido a uma taxa anual de 5%. Além disso, como houve melhora na distribuição de renda, o consumo dos menos favorecidos se expande acima dos 10% ao ano. Assim, empresários com estratégias alinhadas à nova realidade brasileira vivenciam taxas de crescimento dignas de países asiáticos.
Valendo-se de sofismas, acadêmicos defenderão que o lucro é obtido por intermédio da produção, percebida como trabalho humano, com a extração da mais valia absoluta e relativa, espoliada dos trabalhadores. Eu, como último economista groucho-marxista, cuja abordagem é antípoda aos marxistas, ressalvo que a produção é apenas uma das etapas da geração de riqueza. Os sinais de enriquecimento brasileiro nos últimos anos são superiores a míseros 3%. As enormes oportunidades nos próximos anos estarão em atender a demanda externa pelo agronegócio, no setor metal-metalúrgico, no mercado interno, etc. Nesses vetores, o ritmo de crescimento tem sido e continuará a ser literalmente chinês.
Outro sofisma em voga: a melhora decorre de ações que este governo, o anterior, a sociedade civil, os pensadores, as instituições, o Banco Central e as ONGs fizeram nos últimos anos. A verdade é que nunca antes na história do Brasil vivemos um ambiente internacional tão favorável. Nosso mérito é não desperdiçar a oportunidade, como fazem alguns de nossos pares latino-americanos. Realmente poderíamos acelerar o ritmo se fosse desopilado o gargalo de infra-estrutura. Há um potencial enorme caso privatizássemos portos, estradas, ferrovias, energia, etc.
Não podemos expandir nossa demanda acima da oferta indefinidamente. Caminharíamos para um déficit em transações correntes que resultaria, no limite, em desvalorização, inflação, etc. Todavia, vivemos em um adorável mundo novo e o Brasil tem se distanciando deste quadro limite. O enriquecimento da China e de outros emergentes tem elevado o preço de produtos que o Brasil é e continuará sendo o único capaz de produzir em larga escala e de forma eficiente. Temos passado por um choque de riqueza e, por essa razão, todos os economistas, este groucho-marxista têm continuamente revisado para cima suas projeções de superávit comercial.
Plus Ultra: confirmada a provável mudança da matriz energética mundial para uma maior participação de biocombustíveis, tal movimento deve se intensificar. Com certo exagero, mas de forma embasada, escutei de um grande trader internacional de commodities que o "Brazil is a new Saudi Arabia". Para investidores e empresários, é importante ter em mente que as oportunidades no Brasil não crescem 3% ao ano, mas 6%, 10%, 12% ou mais. Quem tiver a estratégia adequada, terá os retornos que merece. Daqui a alguns anos, algum acadêmico demonstrará em um tratado estatístico todo o processo que estamos vivenciando.
Fonte: http://www.strategosconsultoria.com.br/imprensa.php
mais novidades
membros
veja mais
Orchestra® - Soluções Empresariais
São Paulo : Rua Geraldo Flausino Gomes, nº 42 – Grupo 112 - CEP 04.575-060 - São Paulo-SP - Fone/Fax: (11) 4107-5585
Porto Alegre : Travessa Francisco Leonardo Truda, nº 40 – Conj. 242 / Edifício Formac - CEP 04.575-060 - Porto Alegre-RS - Fone/Fax: (51) 3022-1280 / (51) 9281-6516
Todos os direitos reservados © 2007 - All rights reserved - Notas Legais - Termo de Uso - Por: Agência Internet.